Faltam mais ou menos cinco dias úteis para me pôr a andar daqui para fora. Como seria de esperar, começam a passar-me pela cabeça ideias assaz agressivas (assaz – ora aí está palavra que sempre sonhei utilizar), tipo mandar esta secretária janela abaixo, pontapear o computador, pôr bombinhas de mau cheiro nas malas das accounts, escrever palavras de ordem nos espelhos da casa-de-banho (o inevitável “Vão-se foder” seria uma delas, claro), enfim, qualquer coisa violenta e marcante que alterasse esta pseudo-paz de paredes branco-cal. Obviamente não vou tomar nenhuma destas atitudes. Dia-sim-dia-sim, até ao adeus final, vou para casa qual Calimero abandonado no meio do mato sem rebuçados, semicerro os olhos ao volante para não chorar, chamos nomes feios a todos (e todos são mesmo todos) os condutores à minha volta, rogo pragas fraquinhas a pessoas de aspecto feliz, e entro na garagem transformada em Maga Patalógica, de corvo por cima do ombro… É. Os seres frustrados são mais ou menos assim.